Mensagem anônima – Novembro/25
Quando eu cheguei aqui — e digo “cheguei” porque é assim que a gente se sente ao abrir os olhos no espírito — a primeira sensação que tive foi de leveza. Como se alguém tivesse apagado um barulho constante que eu carreguei durante toda a minha vida na Terra.
Mas, para ser sincero, esse barulho nunca veio de fora.
Sempre veio de dentro.
Eu só não sabia disso quando estava encarnado.
Vivi meus anos na Terra dentro da condição que vocês chamam de autismo. Era o fim dos anos 2000 quando terminei aquela jornada. E, por muito tempo, achei que eu fosse um “erro de ajuste”, alguém que não se encaixou no mundo que me recebeu.
Agora vejo tudo com a clareza que só Deus sabe oferecer.
Eu não era um erro.
Eu era um lembrete.
Um lembrete de que há sensibilidades que o corpo não consegue traduzir.
De que existem percepções que não cabem em palavras.
De que o amor — o verdadeiro — não precisa ser explicado para ser vivido.
Eu era um espírito que precisava de silêncio.
Silêncio para reorganizar o que em mim estava confuso.
Silêncio para treinar a compreensão da vida.
Silêncio para que Deus pudesse falar comigo do único jeito que eu conseguiria ouvir.
E Ele falou.
Falou em meus momentos de isolamento.
Falou nos abraços que eu não sabia retribuir, mas que aqueciam meu espírito mesmo assim.
Falou na paciência dos que me rodeavam.
Falou na impaciência também — porque até ela me ensinou.
Hoje entendo algo que, quando estava aí, eu jamais poderia expressar:
Eu nunca estive desconectado.
Eu estava ligado a Deus de um jeito que só parecia diferente.
Meus amigos, se pudessem ver a vida do ponto em que estou agora, compreenderiam que as almas que encarnam com desafios como o meu vêm à Terra em missões de reajuste e de cura.
Não são menos.
Não são frágeis.
Não são “pobres coitados”.
São espíritos em reorganização profunda.
E, ao mesmo tempo, são convites vivos — para as famílias, para os lares, para os corações — a despertar para um amor mais amplo. Um amor que exige presença. Um amor que não se satisfaz com aparências. Um amor que educa enquanto acolhe.
Eu era um convite desses.
Aos meus familiares, se pudessem me ouvir daqui, eu diria:
“Tudo valeu.
Até o que parecia sofrimento era caminho.
Até a confusão era aprendizado.
Até o silêncio era oração.”
Sim, oração. Porque descobri que o silêncio é uma das formas mais puras de falar com Deus. Ele me alcançava quando minha mente parecia dispersa. Ele me acalmava quando os estímulos me feriam. Ele me abraçava quando eu me fechava.
E hoje, desta nova vida, com lucidez e gratidão, afirmo:
Eu entendi Deus antes de entender o mundo.
E isso, meus amigos, não foi uma falha.
Foi um privilégio.
Talvez minha encarnação tenha durado menos do que muitos esperavam. Mas aprendi que o tempo na Terra não é medido em anos — é medido em evolução. E a minha veio inteira. Vem vindo até hoje.
Se eu pudesse deixar uma palavra a quem convive com alguém como eu, seria esta:
Tenham ternura.
O amor que vocês oferecem chega até nós — mesmo quando não conseguimos responder.
E, por favor, não pensem que Deus falhou.
Ele nunca falha.
Cada vida é um capítulo exato, colocado no lugar certo, na hora certa. E a minha… ah, a minha foi o capítulo que precisava ser escrito, com suas pausas, suas páginas em branco e sua beleza escondida.
Hoje caminho leve, desperto, inteiro.
E agradeço a Deus por ter me confiado aquela forma de existir.
Do lado de cá, a gente aprende que ninguém veio para ser menos.
Cada um veio para ser exatamente o que sua alma precisava ser.
E, agora que compreendi…
deixo-lhes um abraço que eu não consegui dar lá — mas que sempre existiu aqui dentro.
Com carinho e paz,
Um amigo que despertou em Deus
