Mensagem do Espírito Frei Agostinho, trabalhador da Casa Transitória de Maria Luiza – Dezembro/25
Meus irmãos e minhas irmãs,
Que a paz simples do Cristo encontre morada em seu coração.
Perguntam-me, muitas vezes, por que ainda comemorar o Natal de Jesus.
Num mundo tão apressado, tão ferido, tão cheio de ruídos, luzes artificiais e compromissos vazios, alguns pensam que o Natal se tornou apenas uma tradição repetida, um rito social, um costume bonito, porém distante da alma.
Mas o Natal de Jesus não é um evento do calendário.
É um chamado do coração.
Comemorar o Natal é lembrar — com humildade — que Deus escolheu nascer pequeno.
Que o Eterno se fez frágil.
Que a Luz aceitou caber numa noite simples, num lugar improvável, no silêncio de um estábulo.
E isso, meus irmãos, muda tudo.
O Natal nos ensina que Deus não se manifesta no excesso, mas na essência.
Não no poder, mas no amor.
Não na imposição, mas na oferta.
Celebrar o Natal de Jesus é permitir que essa verdade nos visite outra vez.
Quando comemoramos o Natal apenas com festas, compras e distrações, celebramos fora.
Mas quando comemoramos acolhendo o Cristo no íntimo, celebramos por dentro.
E é essa celebração interior que transforma a vida.
Jesus nasce, todos os anos, para nos perguntar em silêncio:
— Há espaço para Mim em seu coração?
Ele não pede perfeição.
Pede acolhimento.
Não exige santidade pronta.
Pede disponibilidade.
Não cobra méritos.
Pede abertura.
Comemorar o Natal é aceitar que a esperança pode nascer mesmo quando tudo parece escuro.
Que a paz pode surgir mesmo em meio às lutas.
Que a vida pode ser renovada, mesmo quando estamos cansados.
O Natal é o anúncio de que Deus acredita em nós.
Acredita tanto que confiou Seu Filho à humanidade.
Confiou Seu amor às nossas mãos imperfeitas.
Confiou Seu Evangelho às nossas escolhas diárias.
E talvez por isso o Natal incomode tanto alguns corações.
Porque ele nos convida a viver de modo diferente.
Mais simples.
Mais verdadeiro.
Mais fraterno.
Celebrar o Natal de Jesus é revisitar nossos relacionamentos.
É perguntar se estamos mais próximos ou mais distantes uns dos outros.
É refletir se nossa casa tem sido lugar de acolhimento ou de cobrança.
É observar se nossas palavras curam ou ferem.
É perceber se temos vivido para acumular ou para servir.
O Menino que nasce não vem nos julgar.
Vem nos lembrar.
Lembrar que somos irmãos.
Lembrar que o amor é o caminho.
Lembrar que ninguém se salva sozinho.
Quando olhamos para o presépio com o coração atento, entendemos que o Natal não é sobre o que recebemos, mas sobre quem nos tornamos.
Não é sobre ter mais, mas sobre ser mais.
Não é sobre brilho exterior, mas sobre luz interior.
E essa luz, quando acesa, alcança o corpo, a mente e a alma.
Acalma pensamentos agitados.
Suaviza emoções endurecidas.
Fortalece o espírito cansado.
O Natal vivido com Jesus reorganiza a vida.
Recoloca prioridades.
Ensina a esperar sem desespero.
Ensina a confiar sem ingenuidade.
Ensina a amar sem condições.
Por isso, meus irmãos, comemorem o Natal.
Mas comemorem de verdade.
Comemorem perdoando.
Comemorem escutando.
Comemorem acolhendo.
Comemorem repartindo.
Comemorem orando.
Comemorem silenciando um pouco o mundo para ouvir o coração.
Façam do Natal um nascimento contínuo.
Deixem que Jesus nasça em seus gestos.
Em suas escolhas.
Em sua maneira de viver.
Porque, quando o Cristo nasce dentro de nós, o Natal deixa de ser uma data…
E se torna um estado de alma.
Frei Agostinho
