Novembro/26

De lá pra cá

Meu orgulho

Testemunho de um Espírito em processo de conscientização.

Meu nome foi Abílio Augusto.

Nasci em Campinas, no interior de São Paulo, em 1928. Desencarnei em 1998, aos setenta anos.

Fui comerciante, proprietário de imóveis, empregador de muitas pessoas, marido de Verônica e pai de três filhos.

Durante boa parte da vida, fui conhecido como um homem bem-sucedido.

Hoje, compreendo que essa definição escondia uma realidade muito diferente.

Eu havia conseguido quase tudo o que desejava, mas me tornara incapaz de reconhecer aquilo de que realmente precisava.

Meu pai possuía uma pequena loja de tecidos. Trabalhei com ele desde os quatorze anos. Aos vinte e seis, assumi o negócio. Aos quarenta, já possuía três estabelecimentos comerciais e alguns imóveis.

Eu gostava de contar essa história.

Gostava de dizer que tudo havia sido conquistado com minhas mãos, minha inteligência e minha determinação.

Não percebia quantas mãos haviam trabalhado ao lado das minhas.

Nem quantas pessoas haviam renunciado a alguma coisa para que eu pudesse chegar aonde cheguei.

Eu não era um homem violento.

Não bebia excessivamente, não frequentava ambientes que considerava inconvenientes e procurava cumprir meus compromissos financeiros.

Era respeitado.

E esse respeito me agradava profundamente.

Mas havia algo em mim que somente agora consigo reconhecer com clareza.

Eu precisava ser maior do que os outros.

Não necessariamente melhor.

Maior.

Minha palavra precisava ser a última.

Minha opinião precisava prevalecer.

Minha presença precisava ser percebida.

Eu não suportava ser contrariado.

Quando alguém discordava de mim, interpretava a discordância como desrespeito.

Quando alguém me corrigia, sentia-me humilhado.

Quando alguém alcançava uma conquista, procurava demonstrar que eu já havia conseguido algo semelhante.

Hoje sei o nome daquela enfermidade moral.

Orgulho.

Mas, enquanto encarnado, eu lhe dava nomes mais agradáveis.

Chamava de personalidade forte.

De firmeza.

De liderança.

De exigência.

De amor-próprio.

Era muito habilidoso em encontrar palavras bonitas para justificar minhas imperfeições.

E assim fui vivendo.

Minha esposa, Verônica, era uma mulher delicada. Gostava de música, de receber amigos, de visitar os irmãos e de conversar demoradamente à mesa.

Eu dizia que a amava.

E acreditava nisso.

Mas desejava que ela se comportasse conforme minhas expectativas.

Criticava suas amizades.

Desaprovava suas opiniões.

Decidia sobre nossos compromissos.

Quando ela se entristecia, dizia que era sensível demais.

Quando permanecia calada, entendia que finalmente havia reconhecido minha razão.

Nunca percebi que aquele silêncio não era concordância.

Era cansaço.

Com meus filhos, não fui diferente.

Dei-lhes estudo, roupas, alimentação, viagens e segurança material.

Mas cobrava obediência como se a gratidão pudesse ser exigida.

Meu filho mais velho desejava estudar música. Eu queria que fosse administrador.

Minha filha desejava trabalhar fora da empresa da família. Interpretei aquilo como rejeição.

O caçula, mais sensível, tinha medo de conversar comigo.

Eu chamava tudo isso de educação.

Confundia autoridade com domínio, respeito com submissão e amor com posse.

Meus amigos, há uma cegueira terrível que não atinge os olhos.

É aquela que nos permite enxergar os defeitos de todos, menos os nossos.

Eu a conheci profundamente.

Tinha olhos saudáveis, mas não via minha família.

Ouvia perfeitamente, mas não escutava ninguém.

Possuía uma casa confortável, mas não percebia a solidão que se instalava dentro dela.

Acreditava que tudo me pertencia.

A empresa era minha.

A casa era minha.

O dinheiro era meu.

As decisões eram minhas.

Até as pessoas, de alguma maneira, precisavam ser minhas.

E foi justamente essa ilusão que mais me feriu.

Em novembro de 1998, depois de alguns dias de internação por complicações cardíacas, deixei o corpo físico.

Não vou lhes descrever detalhes do meu despertar, porque cada Espírito experimenta a desencarnação segundo suas próprias condições, e não desejo transformar minha experiência em regra para ninguém.

Direi apenas que, quando comecei a compreender minha nova situação, uma descoberta me perturbou profundamente.

Eu havia deixado tudo aquilo que passara a vida inteira tentando possuir.

Não podia mais entrar na empresa e determinar o que deveria ser feito.

Não podia corrigir as decisões dos meus filhos.

Não podia exigir que minha esposa organizasse a casa segundo minhas preferências.

Não podia sequer impedir que meus bens fossem distribuídos.

Tudo continuava existindo.

Mas já não estava sob meu comando.

E, durante algum tempo, isso me pareceu insuportável.

Não era a falta do dinheiro que mais me incomodava.

Era a falta do poder que eu imaginava exercer por meio dele.

Não era exatamente saudade da casa.

Era a dificuldade de aceitar que outras pessoas passariam a decidir sobre ela.

Não era apenas amor pela família.

Era a resistência em reconhecer que aqueles Espíritos nunca me pertenceram.

Eu havia deixado a matéria.

Mas a matéria ainda não havia deixado meus pensamentos.

Aos poucos, amparado por benfeitores espirituais e por oportunidades de reflexão, comecei a compreender minha própria história.

Não houve um tribunal diante do qual alguém enumerasse minhas faltas.

Houve algo mais íntimo.

Minha consciência começou a reconhecer aquilo que, durante décadas, eu me recusara a enxergar.

Recordei uma noite de 1976.

Verônica estava sentada à mesa, esperando que eu chegasse.

Era nosso aniversário de casamento.

Eu havia prometido voltar cedo.

Cheguei depois das dez horas, irritado por causa de um problema comercial.

Ela havia preparado um jantar.

Lembro-me de ter reclamado porque a comida estava fria.

Ela nada respondeu.

Hoje, entre tantas lembranças, aquela cena me visita com especial intensidade.

Não por causa do jantar.

Mas porque consigo compreender o amor que havia sido colocado sobre aquela mesa.

E a indiferença com que o recebi.

Recordei também meu filho, aos dezessete anos, mostrando-me uma composição musical.

Ele estava entusiasmado.

Pediu que eu ouvisse.

Respondi que não tinha tempo para bobagens.

Não me lembro de ter ouvido aquela música.

Mas recordo perfeitamente o momento em que seus olhos perderam o entusiasmo.

Passei anos acreditando que havia educado meus filhos para serem fortes.

Hoje reconheço quantas vezes lhes ensinei apenas a esconder os sentimentos diante de mim.

Meus amigos, não lhes conto essas coisas para despertar tristeza.

Conto porque vocês ainda podem evitar muitos desses arrependimentos.

O orgulho é uma forma silenciosa de pobreza.

Ele nos convence de que somos superiores, enquanto nos rouba a capacidade de aprender.

Faz-nos exigir respeito, enquanto nos impede de respeitar.

Faz-nos desejar reconhecimento, enquanto nos torna incapazes de reconhecer o valor dos outros.

E, talvez o mais grave, faz-nos acreditar que estamos certos justamente quando mais necessitamos de correção.

Durante minha conscientização, compreendi também algo que nunca havia considerado.

Deus não me havia negado oportunidades de progresso.

Elas estiveram presentes todos os dias.

Na paciência de Verônica.

Na confiança que meus filhos procuravam depositar em mim.

Na honestidade dos empregados.

Nas dificuldades que me contrariavam.

Nas pessoas que ousavam dizer que eu estava errado.

Quantas vezes interpretei como ofensa aquilo que poderia ter sido auxílio!

Quantas oportunidades de humildade desprezei porque desejava vencer uma discussão!

Quantas ocasiões de amar desperdicei porque estava ocupado defendendo minha importância!

Eu conhecia algumas passagens do Evangelho.

Ouvira falar de Jesus desde menino.

Admirava Sua sabedoria.

Mas havia uma distância enorme entre admirar Jesus e permitir que Seus ensinamentos modificassem minhas escolhas.

Ele ensinava a servir.

Eu desejava ser servido.

Ele ensinava a perdoar.

Eu exigia reparações.

Ele ensinava a mansidão.

Eu cultivava a imposição.

Ele ensinava a amar.

Eu procurava possuir.

E, apesar disso, julgava-me um homem correto.

Foi necessário muito trabalho interior para reconhecer que minhas conquistas materiais não eram erros em si mesmas.

O erro estava na finalidade que eu lhes atribuía.

Poderia ter utilizado meus recursos para aliviar sofrimentos, ampliar oportunidades, fortalecer vínculos e promover o bem.

Algumas vezes até o fiz.

Mas frequentemente desejava que meus gestos fossem conhecidos e agradecidos.

Eu ajudava, mas esperava reconhecimento.

Oferecia, mas desejava obediência.

Dava, mas queria continuar sendo dono.

Até minha generosidade, por vezes, carregava a necessidade de ser admirado.

Compreendi, enfim, que a verdadeira caridade não é apenas aquilo que sai de nossas mãos.

É também aquilo que conseguimos retirar de nosso orgulho.

E foi então que comecei a experimentar algo novo.

Não uma condenação.

Uma necessidade sincera de reparar.

Desejei que Verônica pudesse viver em paz, mesmo sem mim.

Desejei que meus filhos realizassem os próprios caminhos, ainda que fossem diferentes daqueles que eu havia escolhido.

Desejei que as pessoas que trabalharam comigo encontrassem melhores oportunidades.

Pela primeira vez, comecei a desejar o bem de alguém sem precisar ocupar o centro desse bem.

Foi uma conquista pequena, talvez.

Mas para mim representou o início de uma liberdade que jamais conhecera.

Ainda tenho muito a aprender.

Não me tornei um Espírito elevado simplesmente porque reconheci minhas faltas.

O arrependimento foi apenas o começo.

Continuo necessitando de trabalho, humildade, aprendizado e oportunidades de reparação.

Mas hoje consigo olhar para minha existência sem procurar culpados.

Não foram meus filhos que me abandonaram.

Não foi minha esposa que deixou de me compreender.

Não foram meus empregados que me desrespeitaram.

Fui eu que, muitas vezes, não soube amar sem exigir.

E reconhecer isso não me destruiu.

Começou a libertar-me.

Por isso, meus amigos encarnados, permitam-me algumas palavras finais.

Se vocês possuem bens, administrem-nos com responsabilidade, mas não permitam que eles lhes possuam a consciência.

Se possuem autoridade, utilizem-na para servir, nunca para diminuir alguém.

Se possuem uma família, recordem que seus familiares são Espíritos confiados à convivência e ao aprendizado mútuo, não propriedades particulares.

Se alguém os contraria, antes de reagir, perguntem se aquela discordância não contém alguma verdade que precisam conhecer.

Se cometerem um erro, reconheçam-no.

Se precisarem pedir perdão, não aguardem uma ocasião solene.

Se alguém lhes oferecer amor, não exijam que esse amor venha exatamente da maneira que vocês determinaram.

E, sobretudo, não confundam ser respeitado com ser amado.

Eu fui respeitado por muitas pessoas.

Algumas me temiam.

Outras dependiam de mim.

Poucas se sentiam verdadeiramente livres em minha presença.

Hoje, trocaria muitas demonstrações de respeito por uma única lembrança de alguém dizendo, com sinceridade:

“Perto dele, eu podia ser quem realmente era.”

Talvez vocês estejam lendo estas palavras dentro de uma casa.

Olhem ao redor.

Talvez exista alguém que vocês procuram corrigir o tempo inteiro.

Alguém de quem exigem demais.

Alguém cuja liberdade os incomoda.

Alguém que se cala para evitar uma discussão.

Alguém que os ama, mas já não sabe como se aproximar.

Não esperem perder a possibilidade de convivência para descobrir o valor dessa presença.

Eu passei setenta anos acreditando que minha maior conquista seria deixar um patrimônio.

Hoje compreendo que poderia ter deixado algo infinitamente mais valioso.

Pessoas que se sentissem amadas, respeitadas e fortalecidas pela minha passagem em suas vidas.

Ainda bem que Deus não encerra nossa história quando encerramos uma encarnação.

A misericórdia divina nos permite reconhecer, aprender, reparar e recomeçar.

Mas não utilizem essa esperança para adiar a própria transformação.

Vocês estão aí.

Podem abraçar.

Podem escutar.

Podem ceder.

Podem agradecer.

Podem pedir desculpas.

Podem escolher o amor antes que o orgulho lhes apresente mais uma justificativa.

Façam isso.

Não porque a morte esteja próxima.

Mas porque a vida está acontecendo agora.

E, se me permitem um último pedido, não esperem chegar aqui para descobrir o que demorei tanto a compreender:

O orgulho nos faz querer ser donos de tudo.

O amor nos ensina a cuidar de tudo sem desejar possuir ninguém.

Que Jesus os ajude a compreender essa diferença enquanto ainda podem demonstrá-la com a própria vida.

Mensagem de Emmanuel

Tua mente

Entre os cuidados devidos ao corpo e à alma, recordemos o problema da habitação.

Quanto mais instruída a pessoa, mais asseio na moradia. Nem sempre a residência é rica do ponto de vista material. Vê-se, aí, contudo, limpeza e ordem, segurança e bom gosto.

É imperioso, porém, que o senso de higiene e harmonia não se fixe, unicamente, no domicílio externo. Necessário que semelhante preocupação nos alcance o pouso íntimo.

A mente é a casa do Espírito.

Como acontece a qualquer vivenda, ela possui muitos compartimentos com serventia para atividades diversas. E, às vezes, sobrecarregamos as dependências de nosso lar interior com ideias positivamente inadequadas às nossas necessidades reais.

Quando preconceitos enquistados, teorias inúteis, inquietações e tensões, queixas e mágoas se nos instalam por dentro, dilapidamos os tesouros do tempo e as oportunidades de progresso, de vez que impedimos a passagem da corrente transformadora da vida, através de nossas próprias forças.

Sabemos que uma casa, por mais simples, deve ser arejada e batida de sol para garantir a saúde.

Ninguém conserva lixo, de propósito, no ambiente familiar.
Qualquer perturbação no sistema de esgoto ou na circulação da energia elétrica representa motivos para assistência imediata.

Desde épocas remotas, combatemos a escuridão. Da tocha à candeia e da candeia à lâmpada moderna, esmera-se o homem na criação de recursos com que se defender contra o predomínio das trevas.

Pondera quanto a isso e não guardes ressentimentos e nem cultives discórdias no campo da própria alma.

Trabalha, estuda, faze o bem e esquece o mal, a fim de que te arregimentes contra o nevoeiro da ignorância.

Tua mente — tua casa intransferível. Nela te nascem os sonhos e aspirações, emoções e ideias, planos e realizações. Dela partem as tuas manifestações nos caminhos da vida, e de nossas manifestações nos caminhos da vida dependem o nosso cativeiro à sombra ou a nossa libertação para a luz.

Emmanuel, na obra Alma e Coração, pela psicografia de Chico Xavier.

Vivendo o espiritismo

Uma entrevista com Allan Kardec: Por que é tão difícil mudar a nós mesmos?

Uma conversa imaginária sobre a transformação que todos desejamos, mas nem sempre estamos dispostos a realizar.

Uma observação ao leitor

Esta entrevista é inteiramente fictícia. Allan Kardec não concedeu as respostas aqui apresentadas, e o texto não constitui comunicação mediúnica. Trata-se de um exercício literário e educativo, inspirado nos princípios da Codificação Espírita, no Evangelho de Jesus e nas reflexões de dedicados estudiosos e divulgadores da Doutrina.

Nosso propósito é imaginar como uma conversa com o Codificador poderia ajudar-nos a compreender uma das maiores tarefas da existência: nossa própria transformação moral. As respostas são interpretações desses ensinamentos, não citações literais de Kardec.

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O Candeeiro: Senhor Kardec, depois de tantos anos de estudos espíritas, por que ainda encontramos tanta dificuldade para modificar nosso comportamento?

Allan Kardec : Porque conhecer a verdade não significa, necessariamente, estar disposto a vivê-la. O conhecimento esclarece a inteligência, mas a transformação exige o concurso da vontade. Muitas pessoas já sabem o que deveriam fazer, entretanto continuam escolhendo aquilo que lhes parece mais cômodo. O progresso moral não acontece apenas porque aprendemos. Ele acontece quando começamos a agir de acordo com o que aprendemos.

O Candeeiro: Então, uma pessoa pode estudar profundamente o Espiritismo e continuar sendo moralmente pouco desenvolvida?

Kardec: Naturalmente. O conhecimento é instrumento de progresso, não certificado de elevação espiritual. Alguém pode compreender a imortalidade da alma, explicar a reencarnação e conhecer as leis morais, mas continuar orgulhoso, impaciente, egoísta e intolerante. A verdadeira compreensão doutrinária deve produzir consequências na conduta. O Espiritismo não nos foi oferecido apenas para ampliar o que sabemos, mas para melhorar aquilo que somos.

O Candeeiro: Qual seria, então, o primeiro passo para nossa transformação?

Kardec: Reconhecer sinceramente a necessidade de mudar. Enquanto justificamos continuamente nossos comportamentos, atribuindo aos outros a responsabilidade por nossas reações, pouco avançamos. É preciso coragem para examinar a própria consciência sem disfarces. Não para nos condenarmos, mas para descobrirmos onde devemos trabalhar.

O Candeeiro: Mas reconhecer nossos defeitos não pode nos trazer culpa e sofrimento?

Kardec: Depende do que fazemos com esse reconhecimento. A consciência de um erro deve despertar responsabilidade, não desespero. Deus não nos criou para permanecermos aprisionados ao remorso. O arrependimento é valioso quando conduz à reparação e ao aperfeiçoamento. Identificar uma imperfeição é descobrir uma oportunidade de progresso. A culpa que paralisa pouco ajuda; a responsabilidade que transforma é profundamente educativa.

O Candeeiro: Muitas pessoas dizem: “Eu sou assim mesmo, não consigo mudar”. O que o senhor lhes diria?

Kardec: Que estão confundindo aquilo que são hoje com aquilo que podem vir a ser. O Espírito não está condenado a permanecer nas próprias imperfeições. Se assim fosse, a evolução seria impossível. Todos trazemos tendências adquiridas, hábitos antigos e dificuldades particulares, mas também possuímos inteligência, vontade e liberdade para desenvolver novas disposições. A transformação pode ser lenta, mas é possível. A frase “sou assim mesmo” não deveria encerrar uma reflexão. Deveria iniciar uma pergunta: “O que posso fazer para melhorar?”

O Candeeiro: Por que percebemos tão facilmente os defeitos dos outros e temos tanta dificuldade para reconhecer os nossos?

Kardec: Porque o orgulho frequentemente nos oferece uma visão indulgente de nós mesmos e rigorosa dos semelhantes. É muito confortável observar o erro alheio, pois isso nos dispensa, momentaneamente, de enfrentar nossas próprias dificuldades. Entretanto, o progresso moral exige que invertamos esse movimento: mais vigilância sobre nós e mais compreensão para com os outros. A indulgência que desejamos receber deve também orientar nossa maneira de julgar.

O Candeeiro: E como saber se estamos realmente melhorando?

Kardec: Observando nossas atitudes nas circunstâncias comuns da vida. Como reagimos quando somos contrariados? Como tratamos alguém que não pode nos oferecer vantagem alguma? O que fazemos quando ninguém nos observa? Conseguimos reconhecer um erro sem procurar desculpas? Somos capazes de respeitar quem pensa de maneira diferente? O progresso moral revela-se principalmente nas escolhas cotidianas, sobretudo quando agir corretamente exige esforço.

O Candeeiro: Isso significa que nossas maiores oportunidades de evolução estão dentro de casa e nas relações diárias?

Kardec: Sem dúvida, são oportunidades preciosas. É relativamente fácil falar de fraternidade diante de uma assembleia receptiva. Mais difícil é praticá-la diante de alguém que nos contraria. Podemos defender publicamente a paciência e perdê-la com nossos familiares. Podemos falar de caridade e negligenciar quem vive ao nosso lado. A convivência revela o quanto nossos princípios já se transformaram em virtudes.

O Candeeiro: E quando alguém nos magoa profundamente? Precisamos aceitar tudo em nome da evolução espiritual?

Kardec: Não. A caridade não exige cumplicidade com o erro, nem o perdão significa renunciar à justiça ou à própria proteção. Podemos estabelecer limites, afastar-nos de situações prejudiciais e procurar os meios legítimos de reparação sem cultivar ódio ou vingança. O ensinamento de Jesus nos convida a combater o mal sem reproduzi-lo. Perdoar é libertar o coração do desejo de retribuir a ofensa, não declarar aceitável aquilo que foi injusto.

O Candeeiro: Senhor Kardec, parece que estamos sempre esperando que os outros mudem para que possamos viver melhor. Isso é um equívoco?

Kardec: É uma expectativa que pode prolongar desnecessariamente nossos sofrimentos. Não temos domínio sobre a consciência alheia. Podemos aconselhar, exemplificar, esclarecer e auxiliar, mas cada Espírito responde por suas próprias escolhas. Entretanto, possuímos responsabilidade sobre a maneira como reagimos e sobre as decisões que tomamos. A transformação que esperamos do mundo não deveria servir de desculpa para adiarmos a nossa.

O Candeeiro: Há pessoas que se esforçam durante anos e continuam enfrentando as mesmas dificuldades emocionais. Isso significa que fracassaram?

Kardec: Não necessariamente. O progresso não se mede apenas pela ausência de dificuldades, mas também pela maneira como passamos a enfrentá-las. Talvez alguém ainda sinta raiva, mas já consiga evitar uma agressão. Talvez continue experimentando ciúme, mas esteja aprendendo a respeitar a liberdade do outro. Talvez ainda tenha medo, mas já não permita que ele determine todas as suas escolhas. Pequenas conquistas, quando sinceras e perseverantes, representam passos importantes.

O Candeeiro: E qual é o papel de Jesus nessa transformação?

Kardec: Jesus é nosso modelo e guia moral. Seus ensinamentos não se limitam à admiração que possamos sentir por Sua grandeza. Convidam-nos a modificar nossas relações, nossos sentimentos e nossas escolhas. De pouco adiantaria exaltar Sua misericórdia sem procurar ser misericordioso, ou celebrar Seu amor sem nos esforçarmos para amar. Seguir Jesus é procurar traduzir Seus ensinamentos em atitudes.

O Candeeiro: Podemos dizer, então, que a reforma íntima não consiste em nos tornarmos perfeitos de uma vez, mas em nos tornarmos melhores a cada dia?

Kardec: Exatamente. Não devemos confundir o ideal da perfeição com a exigência de resultados imediatos. O aperfeiçoamento espiritual é uma construção contínua. O importante é que exista esforço verdadeiro, perseverança e disposição para reparar os próprios erros. Quem hoje consegue dominar uma reação que ontem o dominava já realizou uma conquista. Quem aprende a pedir perdão, a escutar, a servir e a compreender está trabalhando em favor do próprio futuro espiritual.

O Candeeiro: Para encerrarmos, senhor Kardec, se pudesse deixar uma única pergunta aos leitores de O Candeeiro, qual seria?

Kardec: Eu lhes proporia uma reflexão muito simples:

“O que o conhecimento do Espiritismo já modificou em minha maneira de viver?”

Não quantos livros li.

Não quantas reuniões frequentei.

Não quantos ensinamentos consigo repetir.

Mas quantas vezes consegui ser mais paciente, mais honesto, mais fraterno e mais justo porque compreendi melhor a vida espiritual.

O conhecimento é uma bênção. Entretanto, sua finalidade mais elevada é produzir transformação.

E talvez a melhor homenagem que possamos prestar ao Evangelho de Jesus não seja apenas conhecê-lo profundamente, mas permitir que ele transforme, pouco a pouco, a pessoa que somos.

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Uma última reflexão

Terminada nossa “entrevista”, permanece uma pergunta bastante real.

Se encontrássemos Allan Kardec hoje, talvez desejássemos perguntar-lhe sobre o futuro da humanidade, os mistérios da vida espiritual ou os grandes desafios do mundo.

Mas é possível que a questão mais importante fosse muito mais simples:

“O que ainda preciso modificar em mim?”

E talvez a resposta já esteja presente em alguma situação que se repete em nossa vida, em alguma dificuldade de relacionamento, em alguma reação que lamentamos, em alguma oportunidade de amar que continuamos adiando.

O Espiritismo não nos convida a esperar uma nova existência para sermos melhores.

Ele nos ensina que a transformação possível começa nesta, exatamente onde estamos, com os recursos que já possuímos.

Afinal, não basta compreender que somos Espíritos imortais.

É preciso aprender a viver como quem sabe disso.

Novidades

Um dia de alegria, carinho e inclusão na Festa das Crianças do Obreiros da Luz Divina, em Itanhaém

O sábado, 17 de outubro, foi marcado por muita alegria, amor e fraternidade no Obreiros da Luz Divina, em Itanhaém. A comemoração do Dia das Crianças reuniu momentos de diversão, confraternização e espiritualidade, em uma programação preparada com muito carinho para tornar o dia inesquecível.

A festa foi animada, com muitas brincadeiras, músicas e bexigas coloridas, criando um ambiente alegre e acolhedor. Cada criança recebeu um presente e também um saquinho de doces, levando para casa não apenas as lembranças daquele dia, mas também o carinho de todos que contribuíram para a realização da comemoração.

Ao meio-dia, os participantes foram recebidos com uma deliciosa sopa acompanhada de pãozinho. Às 13h30, a festa continuou com cachorro-quente, para a alegria da criançada.

Uma comemoração em dose dupla: o aniversário do Valtinho

E o dia reservava uma surpresa muito especial! Por uma feliz coincidência, Valtinho também fazia aniversário naquele sábado. Aos 64 anos, ele sempre participa das mesmas atividades oferecidas às crianças e é parte querida desse convívio.

Para celebrar a data, foi preparado um bolo delicioso, e todos se reuniram para cantar o tradicional “Parabéns pra Você”. Valtinho ficou muito emocionado com a homenagem, protagonizando um daqueles momentos que tocam o coração e ficam guardados na memória.

A comemoração nos lembrou de algo muito importante: a alegria não tem idade, e todos merecem se sentir acolhidos, lembrados e amados. Ao compartilhar as atividades e celebrar juntos, crianças e adultos especiais vivenciam, na prática, o respeito às diferenças, a inclusão e a beleza de reconhecer o valor de cada pessoa.

Amor que se transforma em ação

Às 15 horas, a programação foi encerrada com o Evangelho, reunindo os participantes em um momento de reflexão e espiritualidade. Os ensinamentos de Jesus deram um sentido ainda mais profundo a um dia em que a fraternidade se manifestou nas brincadeiras, nas refeições compartilhadas, nos presentes e na atenção dedicada a cada participante.

Nosso agradecimento a todos os voluntários e colaboradores que contribuíram para tornar esse encontro possível, oferecendo seu tempo, seu trabalho e, sobretudo, seu amor.


Cidade das Crianças foi uma aventura inesquecível

No sábado seguinte, dia 24 de outubro, mais uma comemoração do Dia das Crianças proporcionou momentos inesquecíveis, repletos de diversão, descobertas e muita alegria!

Logo pela manhã, as 37 crianças e os dez monitores voluntários compartilharam um delicioso café da manhã na sede do Obreiros. Às 7h30, a animação já tomava conta do ônibus, a caminho da Cidade das Crianças, em São Bernardo do Campo.

Ao chegar, a garotada aproveitou cada instante e se divertiu em diversas atrações, como o teleférico, o carrossel e o Vale dos Dinossauros, entre muitas outras aventuras.

E as surpresas não pararam por aí! Na hora do almoço, as crianças foram presenteadas com um lanche do McDonald’s, acompanhado de um delicioso bombom Sonho de Valsa na sobremesa.

A alegria estampada nos rostos e a emoção dos pequenos tornaram esse dia ainda mais especial, deixando lembranças que certamente ficarão guardadas no coração de cada um.

Às 17h30, o grupo chegou de volta a Itanhaém, cansado, mas feliz, com muitas histórias para contar e a alegria de ter vivido um Dia das Crianças verdadeiramente inesquecível!

Campanha de Natal deste ano vai contemplar 350 famílias

Foi dada a largada! Nossa Campanha de Natal vai fazer a alegria de mais de 1.000 irmãos moradores na zona alagadiça de Itanhaém.

Confira a agenda da campanha

E a lista dos alimentos

Conheça nosso calendário de final de ano

Solidariedade

A solidariedade é uma das mais belas expressões do amor ensinado por Jesus.

Cada gesto de auxílio ao próximo representa uma oportunidade de crescimento espiritual, fortalecendo os laços de fraternidade que unem toda a humanidade.

Quando estendemos a mão a quem sofre, iluminamos também o nosso próprio caminho, pois a verdadeira caridade transforma tanto quem recebe quanto quem oferece.

Nossos livros

O estudo é um caminho de iluminação da consciência.

Ao conhecer os ensinamentos de Jesus e as leis espirituais, ampliamos nossa compreensão da vida, fortalecemos a fé raciocinada e adquirimos recursos para enfrentar os desafios com mais equilíbrio, amor e esperança.

Estudar é um passo essencial para o progresso do Espírito.

Conheça abaixo os livros psicografados pelo corpo mediúnico do Grupo de Orações, que estão à venda no Núcleo Cultural pelo preço de custo.

O Lado de Lá é um convite ao silêncio interior e à reflexão profunda sobre a vida, a fé e a continuidade da existência além da matéria.

Reunindo mensagens espirituais psicografadas por médiuns do Grupo de Orações, Amor e Caridade, esta obra apresenta 57 relatos de Espíritos ligados à Casa Transitória de Maria Luiza e à Colônia Espiritual Alvorada Nova, ilustrando as Leis Divinas reveladas pelo Espiritismo e o Evangelho de Jesus.

Com linguagem simples e fraterna, os textos abordam o amor, a dor, a reencarnação, o lar como escola das almas e orientações para nos libertarmos das ilusões, oferecendo consolo, esclarecimento e esperança.

Mais do que explicar o mundo espiritual, este livro convida o leitor a viver melhor no presente, lembrando que ninguém caminha sozinho e que o amor continua sendo o caminho seguro para a paz da alma.

Porque, no fim, mais importante do que saber o que existe do lado de lá…

é aprender como viver melhor do lado de cá.

Em tempos difíceis, muitos acreditam que a força está em reagir. Mas e se ela estiver em permanecer fiel?

Esta é a história de Paullete Fabert — uma jovem que, em meio à guerra, escolhe não se deixar transformar por ela. Na resistência europeia, sua maior batalha não é apenas externa, mas interior.

Entre decisões silenciosas e escolhas profundas, Paullete nos conduz por uma jornada que revela: não são as circunstâncias que nos definem, mas a consciência com que respondemos a elas.

Mais que um romance, este livro é um convite — a olhar para dentro e descobrir que a verdadeira liberdade nasce quando deixamos de reagir e passamos a escolher.

Aniversariantes de Novembro

Classificados

Massagem para Mulheres, Puérperas e Gestantes

Kalu Gonçalves (cooperadora aos domingos) é Doula há 16 anos e Terapeuta. WhatsApp: 11 11 96348-4260.

Ensaio fotográfico profissional

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Acupuntura em domicílio

Fernando Yonezawa (marido da Carol das segundas). Tratamento de dor, ansiedade, depressão, estresse etc. WhatsApp: 11 98309-9197.

Consultoria em autorrelacionamento e autocomunicação

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Farmácia de manipulação

João Lobo (cooperador às 5as. feiras). Casa das Fórmulas. www.casadasformulas.com.br WhatsApp 11 97065-7667

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Terapeuta Sol – Solange Nader Miziara (cooperadora aos sábados). Formada em Terapia Floral e Constelação Familiar, entre outras Terapias Integrativas e Complementares. WhatsApp : 11 97201-4386.

Nossa agenda

Fluidoterapia

Evangelho

Financeiro